Um grupo de 12 mulheres, todas moradoras da Grande Vitória, alcançou um feito inédito para a canoagem do Espírito Santo ao conquistar o terceiro lugar na Volta de Ilhabela (VIBE), considerada o maior desafio do Va’a, a canoa havaiana, no Brasil em termos de distância. A prova, realizada anualmente no litoral de São Paulo, exige que os atletas percorram 90 quilômetros ao redor da ilha, cenário marcado pela forte cultura oceânica. Em 2026, a VIBE completará dez anos de existência.
Esta foi a primeira vez que uma equipe inteiramente formada por remadoras da Grande Vitória, que treinam juntas no mesmo clube, participou da competição e subiu ao pódio. Um duplo marco para o esporte capixaba.
A edição deste ano foi marcada por condições extremamente duras, com cerca de 45 quilômetros do percurso realizados contra o vento, o chamado upwind, um dos maiores desafios técnicos e físicos da canoagem oceânica.
Ao longo dos 90 quilômetros, as atletas se dividiram em dois times de seis remadoras, que se revezavam a cada 20 minutos entre a canoa e o barco de apoio — item obrigatório e fundamental para a segurança na prova. Enquanto um grupo remava, o outro acompanhava de perto, oferecendo suporte, incentivo e estratégia até o momento da troca.
Mais do que uma disputa esportiva, a prova foi um exercício intenso de trabalho em equipe, resistência física e equilíbrio emocional, reunindo mulheres de diferentes idades, histórias de vida e níveis de experiência na modalidade.
Preparação intensa e estratégia
O resultado expressivo foi construído ao longo de quatro meses de preparação intensa, com treinos quase diários, sob o comando do multicampeão de Va’a Robert Almeida, treinador da equipe e proprietário do Mahina Paddle Club, que já participou da Volta de Ilhabela em quatro ocasiões.
A rotina incluiu treinos em canoas coletivas e individuais, simulações de troca e longas travessias. Um dos destaques da preparação foi uma travessia com revezamento entre Guarapari e Vitória, pensada para aproximar ao máximo as atletas das condições reais que poderiam enfrentar na competição, aplicação prática do chamado princípio da especificidade no treinamento esportivo.
Nos fins de semana, os treinos chegavam a quatro horas e meia na água, com trocas cronometradas a cada 20 minutos, repetindo exatamente a dinâmica da prova.
“Foram quatro meses de preparação com treinos quase diários. Conquistar esse feito foi possível à base de muito treino, dedicação e comprometimento de todas”, destacou o treinador Robert Almeida.
Recorde de inscritos e superação
A Volta de Ilhabela 2025 contou com 51 equipes inscritas e cerca de 550 atletas, número recorde. As condições adversas provocaram diversas desistências ao longo do percurso, com relatos de competidores passando mal até mesmo dentro dos barcos de apoio. Para a maioria das capixabas, a VIBE foi a primeira experiência em uma prova dessa magnitude. A competição também marcou o encerramento da temporada 2025 da canoa havaiana no Brasil.
Entre as remadoras está a advogada Milena Gotardo, de 36 anos, que pratica canoagem há quatro anos e celebrou intensamente o resultado.
“Sem dúvida, foi a maior experiência que já vivi em competições de canoa. Mais do que força e preparo físico, a prova exigiu muito do meu psicológico e da concentração. Tive a sorte de estar com 11 mulheres incríveis e um treinador que acreditou nessa ideia desde o início”, afirmou.

Atletas capixabas no pódio
Integraram a equipe capixaba na Volta de Ilhabela 2025 as atletas:
Milena Gotardo, Shirley Guimarães, Juliana Tovar, Cristina Rezende, Helena Batista, Camila Laranjeira, Manaíra Medeiros, Luciene Lage, Ludmila Aguiar, Raquel Cola, Lorena Roncetti e Marta Moreira.
Uma conquista coletiva que representa, ao mesmo tempo, uma vitória esportiva e uma celebração da força, da disciplina e da união feminina no esporte oceânico.
Crédito das Fotos: Fotop


