Muitas pessoas sentem tristeza ao voltar das férias e se perguntam se isso é normal. O desânimo, o cansaço emocional e a dificuldade de retomar a rotina são experiências comuns e, embora o termo depressão pós-férias não seja um diagnóstico oficial, a psicologia explica que esse sofrimento é real e compreensível.
Pelas lentes da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), nossas emoções não surgem apenas do que acontece ao nosso redor, mas da forma como interpretamos essas situações. Durante as férias, o ritmo desacelera, as cobranças diminuem e o cérebro passa a associar os dias a prazer, descanso e maior liberdade. É natural, então, que as emoções se tornem mais leves e agradáveis nesse período.
O desafio aparece quando a rotina retorna. Voltar ao trabalho após as férias exige organização, foco e responsabilidade, e isso costuma ativar pensamentos automáticos como “não vou dar conta”, “a rotina é pesada demais” ou “acabou o tempo bom”. Esses pensamentos influenciam diretamente o modo como nos sentimos, podendo gerar desânimo, irritação, ansiedade e até dificuldade de concentração.
Pesquisas em psicologia mostram que mais da metade das pessoas sente algum desconforto emocional nos primeiros dias após o retorno das férias, e cerca de um quarto percebe queda de produtividade na primeira semana. Pessoas que já lidam com ansiedade, depressão ou esgotamento emocional tendem a sentir esses efeitos de forma mais intensa, pois são mais sensíveis a mudanças bruscas de ritmo e a cobranças internas.
Outro ponto importante é a diferença entre expectativa e realidade. Durante as férias, criamos a expectativa de dias mais leves, com menos pressão e mais prazer. Quando a rotina volta sem espaço para adaptação, esse contraste pode gerar frustração, cansaço mental e a sensação de que a vida perdeu a graça. Muitas vezes, não é o trabalho em si que causa sofrimento, mas a forma rígida como a rotina é vivida e interpretada.
É importante ficar atento quando esse mal-estar se prolonga. Se a tristeza, o desânimo ou o cansaço emocional duram mais de duas ou três semanas e começam a afetar o sono, o apetite ou a autoestima, pode ser um sinal de que algo mais profundo precisa de cuidado. Nesses casos, o que parecia apenas tristeza pós-férias pode indicar exaustão emocional ou até o início de um quadro depressivo.
A boa notícia é que a psicologia aponta caminhos para tornar esse retorno mais saudável. Retomar a rotina aos poucos, manter pequenos momentos de prazer no dia a dia, ajustar expectativas e aprender a questionar pensamentos negativos ajudam o cérebro a se reorganizar. Quando o desconforto persiste, o acompanhamento psicológico pode ser fundamental para compreender esses sentimentos e encontrar novas formas de lidar com a rotina.
Agora você já sabe, se sentir tristeza ao voltar das férias não é sinal de fraqueza ou ingratidão. Muitas vezes, é apenas um aviso de que corpo e mente precisam de mais cuidado. Escutar esses sinais pode ser o primeiro passo para construir uma rotina mais equilibrada, leve e saudável.



