congresso de oncologia do hsrc discute saude integral da mulher durante tratamento

Congresso de Oncologia do HSRC discute saúde integral da mulher durante tratamento

A abordagem do câncer tem avançado para além do foco exclusivo na doença, incorporando um olhar mais amplo sobre o paciente. Esse conceito, conhecido como saúde integral, ganha ainda mais relevância quando se trata do cuidado com a mulher em tratamento oncológico – tema que será abordado na quarta edição do Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita, que acontecerá nos dias 14 e 15 de maio, no Centro de Convenções de Vitória, ES.

Para o médico Jesus Paula Carvalho, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e chefe do setor de Ginecologia Oncológica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), essa mudança de perspectiva é essencial para garantir melhores resultados e mais qualidade de vida.

“No passado, o conceito de saúde era a ausência de doença. Mas isso não é mais assim. Saúde é um estado de bem-estar físico, mental e social. Em qualquer especialidade essa deve ser a diretriz. E no tratamento oncológico ainda mais”, afirma. Segundo ele, o câncer é apenas uma das questões enfrentadas pela paciente, que precisa lidar com uma série de outros impactos ao longo da jornada. “É preciso compreender a jornada da paciente antes, durante e depois do tratamento”, destaca.

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Jesus Paula Carvalho, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e chefe do setor de Ginecologia Oncológica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp)

Entre os principais desafios enfrentados pelas mulheres estão os aspectos emocionais, a sexualidade e a qualidade de vida que, muitas vezes, ficam em segundo plano diante da urgência do tratamento. Ainda assim, o especialista reforça que o cuidado precisa ser abrangente. “A primeira preocupação da equipe médica é garantir que a paciente receba um tratamento oncológico de qualidade, com um plano bem fundamentado nas melhores práticas, com abordagem holística e multidisciplinar”, explica. Jesus Paula Carvalho também ressalta a importância do acolhimento: “É necessário promover o acolhimento da paciente e tentar atender suas demandas físicas, psíquicas e sociais.”

Nesse contexto, a atuação integrada de diferentes especialidades é indispensável. O cuidado multidisciplinar reúne profissionais de diversas áreas para atender às múltiplas necessidades da paciente. “O plano de cuidados de uma paciente oncológica é obrigatoriamente multidisciplinar: cada profissional contribui com uma parte desse todo”, afirma. Ele destaca o papel da psicologia no enfrentamento das diferentes fases da doença, da nutrição na manutenção das condições clínicas, da fisioterapia na reabilitação e do serviço social no suporte às questões do cotidiano. “O acolhimento emocional é fundamental para o suporte”, reforça.

Por fim, Jesus Paula Carvalho chama atenção para a importância da escuta ativa e da humanização no atendimento. “Cada ser humano é um indivíduo, não é um órgão, muito menos um tumor. Humanizar é enxergar esse indivíduo na sua integridade. Ouvir é uma ferramenta fundamental”, pontua. Ele alerta, ainda, para os desafios contemporâneos da prática médica. “Nossa sociedade hoje padece de uma overdose de informações e uma falta de profundidade. Tudo é muito rápido, raso e fugaz. A consulta médica, muitas vezes, é ditada pelo algoritmo e protocolos engessados substituíram o raciocínio clínico”, conclui, defendendo um resgate do olhar mais humano no cuidado em saúde.

SEXUALIDADE

Quando questionado sobre o motivo da sexualidade ainda ser tratada como um tema secundário na oncologia, mesmo quando terapias como a hormonioterapia impactam diretamente a libido, o corpo e a identidade da mulher, Jesus Paula Carvalho explica que algumas demandas podem ser atendidas pelo médico, outras necessitam de suporte paramédico (psicólogos, fisioterapeutas, educadores). “A mulher sobrevivente de câncer deve ser estimulada a ter uma vida o mais próxima possível de uma vida normal. Nesse contexto, o impacto do câncer ou do seu tratamento, na sexualidade é um aspecto que deve ser considerado. No câncer do colo do útero, submetido a radioterapia, a fisioterapia desempenha papel fundamental na reabilitação da vagina. Nas mulheres com menopausa precoce induzida, ou mesmo nas que estão na menopausa fisiológica, a terapia hormonal é possível, na maioria dos cânceres.”

O oncologista acrescenta que acolhimento e educação servem para desfazer tabus que impactam no desejo e no desempenho sexual. “É comum ouvirmos expressões como ‘depois da cirurgia eu fiquei oca’ e isso pode ser contornado com educação adequada”, diz.

Jesus Paula Carvalho enfatiza outro ponto que considera muito importante. “É preciso abrir espaço para falar da preservação da fertilidade, que é possível em alguns tipos e estágios de câncer.”

Para que conversas francas sobre a sexualidade feminina deixem de ser exceção e passem a fazer parte do cuidado oncológico de rotina, o chefe do setor de Ginecologia Oncológica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) destaca que é preciso encarar o tratamento oncológico como uma atividade multidisciplinar. “A estrutura dos serviços deve prever essas demandas e prover recursos humanos dedicados. Não se pode atribuir tudo ao trabalho do médico. Ele tem, sim, o dever de identificar essas necessidades, e o serviço deve ter estrutura disponível para lidar com ela”, conclui Jesus Paula Carvalho.

CONGRESSO

O médico integra o time de especialistas que vão participar do 4º Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita. Este ano, o evento trará um formato inovador, o auditório silencioso, alinhado às tendências mais modernas de encontros científicos na área da saúde. “Diferentes apresentações acontecem ao mesmo tempo e num único ambiente, permitindo que o público escolha qual conteúdo deseja acompanhar. Cada participante recebe um fone de ouvido individual, por meio do qual pode selecionar o canal correspondente à palestra de seu interesse”, explicou Simone Duarte, que é gerente do Instituto de Ensino, Pesquisa e Inovação Santa Rita e também está à frente da organização do Congresso.

“Além de tornar o evento mais dinâmico, o formato permite oferecer mais conteúdos em menos tempo. Dessa maneira, cada participante pode montar sua própria experiência, escolhendo as palestras mais alinhadas aos seus interesses e áreas de atuação”, finaliza Marilucia Dalla, presidente da Afecc-Hospital Santa Rita. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo site jacredenciei.com.br.

Serviço

4º Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita
14 e 15 de maio de 2026
Centro de Convenções de Vitória
Realização: Hospital Santa Rita

Inscrições: jacredenciei.com.br

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