exposicao sao elas segue aberta a visitacao e da rosto as mulheres pesquisadas pelo atlas das mulheres no espirito santo

Exposição “São Elas” segue aberta à visitação e dá rosto às mulheres pesquisadas pelo Atlas das Mulheres do Espírito Santo

Mostra fotográfica e podcast apresentam histórias de mulheres de 19 segmentos retratados na maior pesquisa sobre mulheres já realizada no Estado

A exposição itinerante “São Elas — Vozes e Rostos do Atlas das Mulheres do Espírito Santo”, lançada no último sábado (27), no HUB ES, em Vitória, segue aberta à visitação gratuita até o dia 13 de julho. A iniciativa é um dos principais desdobramentos públicos do Atlas das Mulheres do Espírito Santo, considerado o maior estudo sobre a realidade feminina já realizado no Estado.

Com curadoria de Zanete Dadalto e Dani Nogueira, a mostra reúne fotografias de mulheres que participaram da pesquisa e representam 19 segmentos distintos, entre eles pescadoras artesanais, quilombolas, indígenas, mulheres periféricas, mães atípicas, cientistas, trabalhadoras domésticas, mulheres com deficiência, em situação de rua e privadas de liberdade. O objetivo é transformar dados em presença, dando visibilidade aos rostos e histórias por trás dos números.

A secretária de Estado das Mulheres, Fabiana Malheiros, destacou a importância da iniciativa para ampliar o alcance da pesquisa e incentivar sua utilização em diferentes áreas.

“Essa é mais uma oportunidade de apresentarmos essa pesquisa tão valiosa que foi feita por nossa secretaria com tanto afinco para ser usada pela população principalmente na decisão de políticas públicas, mas também na educação, nas artes e na saúde. É um documento muito importante para as mulheres do Espírito Santo”, afirmou.

A exposição permanece no HUB ES, no Centro de Vitória, de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h. Além da visitação espontânea, há possibilidade de agendamento de visitas guiadas para grupos e escolas.

Pesquisa ouviu mais de 1.400 mulheres

Publicado em março deste ano, o Atlas das Mulheres do Espírito Santo reúne 605 páginas de dados, análises e relatos construídos a partir de mais de 1.400 entrevistas realizadas em rodas de conversa por todas as regiões capixabas.

A pesquisa combina informações do Censo 2022, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e de um instrumento inédito criado para o estudo: o Índice de Qualidade de Vida da Mulher (IQVM-ES), que avalia educação, trabalho, saúde, segurança e participação política nos 78 municípios do Estado.

Entre os dados revelados pelo levantamento, estão informações que evidenciam desigualdades históricas e desafios enfrentados pelas mulheres capixabas.

Entre as trabalhadoras domésticas entrevistadas, 52% se autodeclaram pretas e 48% pardas. No Espírito Santo, 96,9% dos profissionais do trabalho doméstico são mulheres. A renda média das mulheres negras no Estado é de R$ 1.809, menos da metade da renda média dos homens brancos, que chega a R$ 3.883.

Outro destaque é o recorte sobre maternidade atípica. Segundo o Atlas, 67,9% das mães de filhos com deficiência dedicam mais de 40 horas semanais aos cuidados sem qualquer remuneração. Mais da metade delas deixou o mercado de trabalho após a maternidade, enquanto quase metade relata impactos físicos e emocionais decorrentes da sobrecarga.

Podcast amplia o debate

Durante o lançamento da exposição também foi apresentado o podcast “São Elas — Vozes e Rostos do Atlas das Mulheres do Espírito Santo”, que traz conversas sobre os dados da pesquisa e as diferentes experiências femininas retratadas no estudo.

Os episódios estão sendo disponibilizados gradativamente no canal do Atlas no YouTube, com um programa dedicado a cada segmento pesquisado. As entrevistas reúnem pesquisadoras e representantes dos grupos participantes, com mediação da jornalista Alice Carpes, também integrante da equipe do Atlas.

Segundo a coordenadora do Atlas, Jaqueline Sanz, o projeto busca aproximar a população das histórias que ajudaram a construir o levantamento.

“Os relatos das mulheres revelam dimensões que os números sozinhos não conseguem traduzir. A exposição e o podcast tornam essas experiências mais visíveis, acessíveis e humanas”, destacou.

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Dona Cleia Costa, pescadora, e as mulheres rendeiras.

Itinerância pelos municípios impactados pelo desastre de Mariana

Após o período de visitação em Vitória, a exposição seguirá em itinerância por quatro municípios capixabas diretamente impactados pelo rompimento da Barragem de Fundão: Baixo Guandu, Linhares, Conceição da Barra e São Mateus.

A ação integra o termo de cooperação entre a Secretaria de Estado das Mulheres (SESM) e a Secretaria de Recuperação do Rio Doce (SERD), com recursos provenientes do Novo Acordo Judicial do desastre ambiental de Mariana.

Para a secretária de Estado de Recuperação do Rio Doce, Margareth Saraiva, levar a exposição aos territórios atingidos representa uma forma de reconhecimento e valorização das mulheres dessas regiões.

“Essa circulação amplia o diálogo com quem viveu e ainda vive os efeitos do desastre, colocando as mulheres no centro do processo de reparação, como protagonistas da transformação, do cuidado e da reconstrução de seus territórios”, afirmou.

Serviço

Exposição “São Elas — Vozes e Rostos do Atlas das Mulheres do Espírito Santo”
HUB ES – Praça Costa Pereira, 30, Centro, Vitória
Até 13 de julho
Segunda a sexta-feira, das 10h às 18h
Entrada gratuita

Visitas guiadas para grupos acima de 10 pessoas podem ser agendadas pelo telefone (27) 99275-5289.

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