Peças desenvolvidas a partir da obra do artista plástico Attilio Colnago para apresentação no ES Fashion despertaram interesse ainda durante o evento e levaram artista a criar o Ana Vitorino Atelier
O que nasceu para durar alguns minutos na passarela acabou ganhando vida própria e virou negócio. As bolsas criadas por Ana Vitorino especialmente para o desfile da Hagaef no ES Fashion fizeram tanto sucesso que todas as peças produzidas foram vendidas. A procura continuou depois do evento, vieram novas encomendas e o movimento levou a artista a transformar a experiência em uma nova marca: o Ana Vitorino Atelier.
O sinal de que havia ali algo maior que um projeto pontual veio ainda durante o desfile. As bolsas despertaram interesse imediato entre quem acompanhava a apresentação e nem mesmo a peça usada pela própria Ana escapou.
“Vendi todas. Até a que era minha. A cliente quis a bolsa que eu estava usando e vendi na hora”, conta Ana, entre sorrisos. Depois do evento, novas encomendas começaram a chegar e ela decidiu criar um perfil exclusivo para apresentar o trabalho e estruturar o novo negócio.
Da pintura para a bolsa
As peças surgiram originalmente para a coleção apresentada pela Hagaef, inspirada na obra do artista plástico Attilio Colnago. Responsável pelos acessórios do desfile, Ana partiu de elementos presentes no universo pictórico do artista para desenvolver bolsas artesanais que transitam entre moda, arte e objeto de desejo.
A experiência deu origem à Barroco, primeira “série vestível” do Ana Vitorino Atelier. A proposta transforma referências da linguagem de Attilio em objetos que estabelecem uma ponte entre pintura, memória e cotidiano.
Mas, com a criação do atelier, Ana pretende ampliar esse universo para além da coleção que iniciou o projeto. A essência da marca está na produção autoral, em pequena escala e no respeito ao tempo do fazer artesanal.
“Acredito que os objetos também podem guardar memórias. Cada bolsa nasce de um gesto artístico, da observação da natureza e do desejo de transformar o cotidiano em algo mais sensível”, explica.

Sem correr atrás das tendências
Em um mercado acostumado ao ritmo acelerado das coleções, Ana escolhe outro caminho. As bolsas são pensadas como peças capazes de ultrapassar temporadas e carregar histórias.
“Não sigo tendências. Prefiro criar peças que atravessem o tempo, inspiradas nas folhas, na luz, nas pinturas e nas histórias que permanecem. Cada coleção é produzida em pequena escala, respeitando o tempo da criação e o valor do feito à mão”, afirma.
É justamente essa combinação de arte, exclusividade e produção artesanal que passa a orientar o novo negócio. O sucesso no ES Fashion mostrou que havia público para objetos que não fossem apenas acessórios, mas extensões de uma linguagem artística. “Desejo que cada bolsa carregue significado”, resume Ana.
Foi assim que uma coleção criada para complementar uma narrativa na passarela acabou escrevendo um novo capítulo fora dela. O desfile terminou, as bolsas se esgotaram, e o Ana Vitorino Atelier começou.
E agora, em outubro, a artista embarca para uma viagem por Portugal, Itália e Sul da França, onde fará pesquisa, curadoria e compra de tecidos e ferragens para a coleção de fim de ano. A ideia é buscar novos materiais, referências e acabamentos que dialoguem com a proposta autoral e artesanal da marca.
