Treinos de força, cuidados com cabelos e pele, e atenção ao sono são parte da equação da nova terceira idade, afirmam especialistas
O envelhecimento é parte natural da vida, no entanto, a forma como vivenciamos esse processo muda de acordo com fatores como tecnologia, mudanças culturais e avanços médicos. Em 2026, os 60 anos não são vividos da mesma forma como em outras décadas, e pessoas da terceira idade, muitas vezes aparentam outra idade, seja na estética ou na saúde física.
O processo natural do tempo se torna uma equação um pouco mais robusta, que leva em consideração reserva muscular, preservação de colágeno, alimentação, rotina de sono e a longevidade traz fatores que não somente ampliam o tempo de vida, como também sua qualidade.
De acordo com a endocrinologista e metabologista Gisele Lorenzoni, a preservação de massa muscular, por exemplo, é crucial para viver um envelhecimento com mais autonomia. “Os treinos de força não devem ser vistos apenas como uma estratégia estética, mas como uma ferramenta de saúde. Ter massa muscular e força significa ter mais reserva funcional para enfrentar o envelhecimento preservando a independência nas atividades do dia-a-dia”, ressalta a médica.
Ter uma boa reserva muscular garante que tarefas simples como levantar de uma cadeira, subir escadas, carregar compras, caminhar e manter o equilíbrio, sejam possíveis e realizadas sem dificuldades. Por isso, para a especialista, o fundamental é não esperar a perda de autonomia aparecer para começar a cuidar da musculatura.
Os músculos também exercem um papel importante no metabolismo da glicose e outros hormônios. “O treinamento resistido é uma ferramenta que promove estímulos fisiológicos que melhoram a metabólica, preservando a capacidade do organismo de funcionar bem como um todo”, ressalta Gisele.
A musculatura pode ser uma das bases para envelhecer com autonomia, no entanto, fatores como o sono e a saúde dos cabelos e da pele também entram na equação da longevidade com qualidade. Além de conquistar uma vida saudável ao chegar na velhice é importante mantê-la, cuidando do corpo e do organismo como um todo.

A longevidade e os cuidados que se mantém
Para a médica Renata Melo, membro da Sociedade Brasileira de Tricologia e referência em estética e tratamentos clínicos capilares, a calvície e o afinamento dos fios, por exemplo, não devem ser vistos como um destino ou irreversível no processo de envelhecimento.
O cuidado com os fios, porém, deve começar antes que a perda de volume se torne muito evidente. “O objetivo não é apenas estimular o crescimento dos fios, mas investigar as causas da queda e recuperar a saúde do couro cabeludo como um todo”, afirma.
Na terceira idade, a avaliação individualizada ganha ainda mais importância, já que alterações hormonais, deficiências nutricionais, inflamações e outras condições podem interferir na qualidade dos fios.
De acordo com a médica, o mesmo princípio vale para a pele. “A tendência dos tratamentos de rejuvenescimento é ser cada vez mais individualizada, assim como ter resultados mais naturais, sem necessariamente apagar os sinais do tempo.
Para Renata, essa mudança acompanha uma nova relação com o envelhecimento. “Mais do que uma tendência estética, vejo esse movimento como uma mudança na relação das pessoas com autocuidado, envelhecimento e qualidade de vida”, salienta.
Os bioestimuladores de colágeno, as tecnologias como radiofrequência Monopolar, o uso de ultrassom microfocado, lasers e toxina botulínica são exemplos de técnicas que podem ser utilizadas de acordo com as características e necessidades de cada paciente.
Os bioestimuladores, por exemplo, atuam na melhora progressiva da firmeza e da qualidade da pele, preservando a identidade de forma natural.
O mesmo cuidado nesse processo deve ser visto em relação ao sono. Despertar mais cedo ou ter o sono mais leve pode acontecer com o envelhecimento. Já acordar exausto com frequência, passar o dia sonolento ou ter dificuldade para manter a rotina merece investigação.
“A pergunta não é só quantas horas essa pessoa dorme. Se ela deixa de sair, de fazer uma atividade física ou de cumprir seus compromissos porque está sempre cansada, o sono já está afetando sua autonomia. Isso não deve ser aceito como parte obrigatória da velhice”, afirma a pneumologista e especialista em Medicina do Sono Jéssica Polese.
O ronco alto é outro sinal que costuma ser minimizado em pessoas mais velhas e visto como algo comum da idade. Entretanto, quando vem acompanhado de engasgos ou pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado, pode indicar apneia do sono. Segundo Jéssica, a sonolência durante o dia, mesmo após uma noite inteira na cama, também é um motivo para procurar avaliação.
Dores, medicamentos e outras condições de saúde podem interferir no descanso. Por isso, reunir informações sobre a rotina do idoso ajuda o médico a entender o que mudou e se há necessidade de investigar um distúrbio do sono.
“O primeiro passo é ouvir o que acontece à noite e o que essa pessoa sente durante o dia. A partir daí, conseguimos orientar o cuidado adequado para cada caso”, orienta a médica.
Seja nos exercícios de força, procedimentos na pele e cabelo, e atenção aos hábitos de sono, o olhar vigilante com a saúde na terceira idade deve ser mantido assim como na juventude, adaptando-se às mudanças do tempo, mas preservando a essência do cuidado com o corpo, metabolismo, mente e autoestima.


