cancer de mama em mulheres jovens fatores hormonais e metabolicos entram no debate sobre prevencao

Câncer de mama em mulheres jovens: fatores hormonais e metabólicos entram no debate sobre prevenção

Excesso de gordura corporal, consumo de álcool, sedentarismo e histórico hormonal podem influenciar o risco; especialista destaca a importância dos hábitos de vida e da avaliação individualizada

Embora o câncer de mama seja mais frequente a partir dos 50 anos, mulheres mais jovens também podem receber o diagnóstico e precisam estar atentas aos fatores de risco. Vale ressaltar que a doença é multifatorial e envolve aspectos genéticos, hormonais, reprodutivos e comportamentais. Porém, o metabolismo e os hábitos de vida merecem atenção, especialmente quando o assunto é a prevenção de fatores modificáveis.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa brasileira para o triênio de 2026 a 2028 é de 78.610 novos casos de câncer de mama por ano. Apesar da preocupação com diagnósticos em idades mais precoces, é importante distinguir a ocorrência da doença entre mulheres jovens de uma eventual tendência de aumento nessa população, que precisa ser confirmada por dados epidemiológicos específicos.

A endocrinologista e metabologista Gisele Lorenzoni explica que a relação entre hormônios, metabolismo e câncer de mama deve ser compreendida a partir de diferentes fatores, sem atribuir a doença a uma causa isolada.

“O organismo funciona de maneira integrada. Alterações na composição corporal e no metabolismo podem influenciar processos hormonais e inflamatórios, mas o câncer de mama não tem uma causa única. Por isso, precisamos considerar o histórico familiar, a vida reprodutiva, os fatores metabólicos e os hábitos de cada paciente para compreender seu risco individual”, pondera a médica.

A exposição aos hormônios sexuais ao longo da vida é um dos aspectos associados ao risco de câncer de mama. De acordo com o INCA, fatores como primeira menstruação antes dos 12 anos, menopausa após os 55 anos, primeira gestação a termo depois dos 30 anos e determinadas terapias hormonais estão relacionados ao aumento do risco.

De acordo com a endocrinologista, o excesso de gordura corporal também merece atenção. “O tecido adiposo participa da produção de substâncias biologicamente ativas e, após a menopausa, representa uma fonte importante de estrogênio. A obesidade também está associada a alterações metabólicas e inflamatórias que podem contribuir para o desenvolvimento de diferentes doenças crônicas”, afirma.

Embora a obesidade tenha uma associação bem estabelecida com o câncer de mama, especialmente após a menopausa, não é correto afirmar que o excesso de peso, isoladamente, explique diagnósticos em mulheres jovens. Nessa faixa etária, fatores hereditários e características biológicas do tumor também podem ter papel importante.

Estilo de vida como parte da prevenção

Entre os fatores modificáveis associados ao risco estão o consumo de bebidas alcoólicas, a inatividade física e o excesso de peso. Nesse cenário, manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios regularmente e buscar uma composição corporal saudável são medidas importantes para a saúde metabólica e podem contribuir para reduzir o risco de câncer de mama.

A recomendação não se resume a emagrecer. A qualidade da alimentação, a regularidade da atividade física e a redução do consumo de álcool fazem parte de uma estratégia mais ampla de cuidado. Essas medidas também ajudam na prevenção de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e outras condições associadas a alterações metabólicas.

Para Gisele, a prevenção precisa ser vista como um conjunto de escolhas sustentáveis, e não como uma promessa de que determinada dieta ou mudança de peso evitará o câncer. “Uma rotina ativa, alimentação adequada e controle do excesso de peso são importantes para a saúde metabólica e podem reduzir alguns fatores de risco, mas não anulam a influência da genética e de outros aspectos que não conseguimos modificar.”

Atenção aos sinais e ao histórico familiar

O cuidado também passa pelo reconhecimento de alterações nas mamas, como nódulos persistentes, mudanças na pele, retração do mamilo ou secreção sanguinolenta. Esses sinais precisam de avaliação médica, independentemente da idade.

Mulheres com histórico familiar de câncer de mama ou ovário, principalmente em parentes diagnosticados precocemente, devem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de avaliação individualizada e possível investigação de predisposição hereditária.

A realização de exames de rastreamento deve seguir as recomendações aplicáveis à faixa etária e ao perfil de risco. Para mulheres mais jovens, a investigação de sintomas ou de risco elevado é diferente do rastreamento de rotina em mulheres sem sintomas.

Mais do que atribuir o diagnóstico a um hábito ou a uma alteração hormonal, a abordagem endocrinológica contribui para ampliar a compreensão dos fatores envolvidos e orientar medidas preventivas possíveis. “O objetivo é fortalecer o cuidado integral, sem culpabilizar pacientes e sem criar a falsa expectativa de que o estilo de vida, sozinho, seja capaz de impedir o desenvolvimento da doença”, finaliza a especialista.

Compartilhar esta notícia

Receba as principais notícias direto no WhatsApp!

Inscreva-se no Canal do Portal Eliana Gorritti

Leia Também:

PUBLICIDADE