Negra, criada na periferia e mãe jovem, Patrícia voltou a estudar a partir de incentivo do IOB, ONG voltada à educação, que atende ela e os filhos
No mês das Mães não faltam história de superação dessas mulheres que dão à luz a meninos e meninas em todo o Brasil. Uma delas é a de Patrícia da Conceição Ramos, que tem 37 anos e mora no Romão, em Vitória.
O sonho de voltar a estudar, após quase duas décadas longe da sala de aula, só pode ser retomado quando dois, de seus três filhos, foram alunos do Instituto Oportunidade Brasil (IOB).
Com os filhos “encaminhados”, como diz, ela voltou à sala de aula em 2024 e concluiu o ensino médio no EJA, em 2025. Também fez o curso de Marketing Digital no IOB; e foi lá que teve o “empurrão” de que tanto precisava para não desistir dos sonhos.
“A minha história com o IOB começou de uma forma muito bonita. Minha filha mais velha disse que ia fazer Marketing Digital. Fiquei até preocupada: como ela ia pagar? Ela me falou sobre o projeto, fez o curso de graça no instituto e hoje faz faculdade de jornalismo!”, conta orgulhosa.
Em seguida, foi a vez do filho do meio se tornar aluno do IOB, no programa “Oportunidade Tech”, voltado a sistemas de informação e que dura 2 anos. “Quando meu filho terminou o ensino médio, pensei: você não vai ficar parado não! Coloquei ele no IOB também. E ele mudou muito: era muito tímido e hoje se desenvolveu”, revela a mãe, com os olhos marejados.
Percebendo como a educação está mudando a realidade de seus filhos, ela decidiu fazer o Enem. E foi aí que Patrícia deu um passo ainda maior: foi aprovada em Pedagogia, na UFES, onde começará a estudar em agosto. “A ficha ainda está caindo… Estou muito feliz! Espero ter sucesso na profissão que escolhi; e persistência para não desistir diante das dificuldades”, diz.
Com a conquista, o medo de fazer o Enem ficou para trás. “No IOB, a gente tem muito mais do que aulas, a gente tem apoio pedagógico; psicológico e pessoas que estimulam a gente a ir além e acreditar! O instituto foi o “empurrão” que eu precisava; e agora meus pais têm a única filha universitária”, afirma.
Patrícia e seus filhos – Cristiano e Lavínia, foram apoiados pelo IOB, de formas distintas, mas sempre com o mesmo propósito: “transformar realidades por meio da educação de qualidade”.
Ao longo de 5 anos de atuação, o IOB já formou 100 jovens e impactou mais de 2 mil pessoas, direta e indiretamente, com suas atividades. Aproximadamente 60% dos seus alunos estão no mercado de trabalho.
A diretora presidente da instituição, Verônica Lopes de Jesus, explica porque a educação é uma ferramenta crucial para a inclusão e a diversidade.
“Os negros são maioria da população, mas ainda recebem salários menores, têm dificuldade de acesso ao ensino superior e a cargos de liderança e são as maiores vítimas da violência. Investir na educação de qualidade e na inclusão dessa importante população é mais do que um avanço social, é um avanço econômico e uma reparação histórica também”, ressalta.


