À frente da empresa há 12 anos, empreendedora transformou uma ideia criada para uma ocasião familiar em um negócio voltado à criação de experiências
Um projeto criado para o casamento de uma prima, em 2014, acabou se transformando no ponto de partida para a Nuvem Sublimação, empresa que Rachel Pires conduz há 12 anos. O que começou com a criação de um painel personalizado ganhou novos produtos, clientes e possibilidades ao longo da trajetória.
A história, no entanto, começou antes disso. Formada em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo, ela iniciou a carreira na assessoria de imprensa. Gostava do trabalho, mas não se sentia completamente realizada.
“Um dos meus clientes, o Alexandre Pop, na época me presenteou com um curso de Corel Draw e Photoshop, e aquilo mudou bastante a minha trajetória. Eu me apaixonei pelo design e comecei a fazer quase o caminho inverso: a assessoria passou a ser um complemento, enquanto o marketing e a criação ganharam cada vez mais espaço”, conta.
A partir dali, o marketing e a criação ganharam espaço. Vieram a especialização na área, o trabalho com grandes empresas e a gestão de departamentos e campanhas. Empreender também não era uma novidade. Ainda durante um estágio, ela recebeu de um dos diretores da empresa o incentivo para abrir o próprio negócio e prestar serviços.
Quando a Nuvem surgiu, o desafio era apresentar ao mercado algo que ainda não era conhecido. As máquinas exigiam alto investimento, a estrutura física precisava ser grande e a internet não tinha o alcance de hoje. A divulgação acontecia de porta em porta, com visitas a decoradores, viagens e participação em cursos pelo país.
“Quando você vende uma camisa, por exemplo, ninguém precisa explicar o que é uma camisa. Nós estávamos apresentando uma solução que as pessoas ainda não conheciam”, explica.
A empresa cresceu a partir dessa necessidade de explicar, testar e encontrar caminhos. A inquietação de não aceitar simplesmente um “não temos” ou “não fazemos” também ajudou a ampliar o portfólio. Para ela, se havia uma demanda, era preciso descobrir como atendê-la.
“Hoje, 12 anos depois, temos um leque enorme de possibilidades personalizadas, mas aquela essência continua a mesma: transformar uma ideia em algo real e entregar uma experiência”, destaca.
Uma liderança construída na proximidade
A experiência acumulada ao longo dos anos também mudou a forma como ela conduz o negócio. Se a coragem sempre esteve presente, o tempo trouxe mais prática para delegar, lidar com dinheiro, administrar pessoas e conduzir conversas difíceis.
Para Rachel, a liderança é baseada na proximidade. Ela conta que mantém contato direto com a equipe, procura ouvir e acolher os colaboradores e aposta em ações de endomarketing. Ao mesmo tempo, se considera exigente e entende que uma característica não precisa anular a outra.
“Liderar também é entender que não é porque você ensinou uma, duas ou dez vezes que nunca mais precisará ensinar”, afirma.
A transparência é outro ponto central na gestão. Para ela, é a partir dela que se estabelece a confiança necessária para construir uma empresa e suas relações. “Quando existe transparência, existe confiança para construir todo o restante”, ressalta.
O empreendedorismo também abriu espaço para uma nova frente de atuação. Além da Nuvem, ela passou a trabalhar com consultoria criativa, ajudando empresas a identificar o que existe de especial em suas ideias e transformar isso em identidade, ativação ou experiência.
Como mulher, não considera que tenha enfrentado obstáculos específicos por causa do gênero. A percepção é justamente a contrária. Ela acredita que características como a capacidade de perceber, acolher e administrar diferentes situações contribuíram para sua trajetória.
Os 12 anos de empresa foram marcados por momentos de dificuldade, conquistas e aprendizados. E, para ela, a fé esteve presente em todos eles.
Ao falar com outras mulheres que desejam empreender, o conselho é direto. É preciso entender que dificuldades fazem parte do caminho, mas não podem ser confundidas com motivo para desistir. Errar, segundo ela, também pode fazer parte da construção, desde que exista disposição para reconhecer, aprender e mudar a rota.
“Empreender não é para amador. Exige entrega, coragem, responsabilidade e disposição para aprender o tempo inteiro. Mas dificuldade não pode ser sinônimo de desistência”, diz.
A experiência acumulada também reforçou uma convicção que hoje resume sua forma de enxergar o trabalho e o empreendedorismo. Para Rachel, aquilo que é feito com amor, dedicação e atenção às pessoas ganha outro significado. “O amor e dedicação, te diferencia”, conclui.


