Durante muito tempo, o LinkedIn foi tratado como um simples repositório de currículos digitais. Um espaço para listar cargos, formações e experiências profissionais. Esse tempo ficou para trás. Hoje, a plataforma se consolidou como um dos principais ambientes de construção de reputação, influência e geração de oportunidades profissionais e de negócios.
Quem explica essa virada é Flavia Gamonar, estrategista de executivos, founders e empreendedores, com atuação focada em posicionamento, produto, conteúdo e influência. Instrutora oficial do LinkedIn Learning, Flavia acompanha de perto como decisões profissionais e comerciais são cada vez mais tomadas antes mesmo da primeira conversa formal.
“O LinkedIn deixou de ser apenas um currículo online e virou um grande ambiente de reputação profissional. É onde decisões acontecem antes das conversas formais”, afirma.
Segundo a especialista, o comportamento dentro da plataforma mudou de forma significativa. Antes de uma reunião, proposta ou contato direto, as pessoas observam quem está do outro lado: como se posiciona, como pensa, quais temas domina e se faz sentido iniciar uma conversa.
“O LinkedIn encurta caminhos, acelera oportunidades e cria contexto. Muitas vezes, quando a conversa começa, a decisão já foi parcialmente tomada”, explica Flavia.
Esse novo papel da rede exige uma mudança de mentalidade. Não se trata mais de “estar presente”, nem de “postar por postar”, mas de construir valor e confiança ao longo do tempo. Publicar por publicar perdeu espaço para estratégias consistentes de posicionamento.
Um oceano azul ainda pouco explorado
Apesar do crescimento da plataforma, Flavia chama atenção para um dado revelador: apenas cerca de 2% dos usuários produzem conteúdo regularmente no LinkedIn. Isso transforma a rede em um verdadeiro oceano azul para quem entende sua lógica e entrega conteúdo relevante.
“Se você gera um conteúdo diferenciado, conectado com a sua experiência e com o público certo, a chance de destaque é enorme. Os leads são mais qualificados quando pensamos em geração de negócios”, destaca.
Diferentemente de outras redes sociais, o LinkedIn não prioriza apenas viralização. A entrega de conteúdo tende a favorecer aquilo que faz sentido para grupos específicos, o que torna a qualidade e o alinhamento muito mais importantes do que números inflados.
Outro ponto central é entender que visibilidade não é sinônimo de alcance massivo. Para Flavia, o conteúdo que realmente gera oportunidades é aquele que ajuda o outro a organizar ideias, entender problemas e enxergar cenários sob uma nova perspectiva.
“O LinkedIn entrega melhor conteúdos com contexto, intenção e ponto de vista. Não são dicas rasas ou fórmulas prontas. Quando o conteúdo tem profundidade, ele cria reconhecimento e abre conversas que realmente importam”, afirma.
Esse tipo de posicionamento fortalece a marca pessoal e cria autoridade de forma orgânica, sem necessidade de discursos promocionais explícitos.
Na prática, a lógica de relacionamento também mudou. Conexões deixaram de ser métricas de vaidade e passaram a ser pontes estratégicas.
“Relacionamento nasce de troca, interesse genuíno e continuidade. Às vezes, uma boa conversa no direct vale mais do que cem posts”, explica a estrategista.
Para ela, o LinkedIn funciona melhor para quem entende que networking não é pedir, mas construir presença ao longo do tempo, acompanhando, interagindo e se fazendo relevante de maneira consistente.
Liderança antes do cargo
Um dos diferenciais mais potentes da plataforma, segundo Flavia, é a possibilidade de ser vista antes mesmo de ocupar um cargo formal de liderança. O discurso, a maturidade profissional e a capacidade de influenciar ideias passam a anteceder o título.
“Muitas lideranças começam a se formar na forma de pensar, de se posicionar e de articular ideias. O LinkedIn permite mostrar isso independentemente do cargo atual”, afirma.
Além disso, a rede se tornou um espaço de aprendizado contínuo, onde é possível acompanhar profissionais experientes, trajetórias inspiradoras e novos modelos de carreira e empreendedorismo.
Nesse cenário, o LinkedIn deixa de ser apenas uma vitrine profissional e se consolida como um ambiente estratégico de crescimento, influência e negócios, especialmente para quem entende que posicionamento é construção, não improviso.



