Pólen e mofo podem agravar sintomas em pessoas sensíveis; problema também merece atenção de quem já faz tratamento
A tosse que acorda uma pessoa durante a noite pode ser um sinal de asma, mesmo quando não há chiado ou falta de ar. Com o início da primavera, a atenção se volta para fatores ambientais, como pólen e mofo, que podem desencadear sintomas em pessoas sensíveis. A estação, porém, não é suficiente para explicar o que está causando a tosse.
Segundo a pneumologista e especialista em medicina do sono Jéssica Polese, a frequência do sintoma e o momento em que ele aparece ajudam a orientar a investigação. “Tem paciente que procura atendimento porque passou a acordar tossindo, sem associar isso à asma. A ausência de chiado não significa que a respiração esteja bem”, afirma.
A tosse noturna também pode estar relacionada a rinite, refluxo ou infecções respiratórias. Por isso, a médica orienta observar se o problema se repete, se piora em determinados ambientes e se vem acompanhado de aperto no peito, chiado ou dificuldade para respirar.
“Quando a tosse começa a interromper o sono, vale procurar avaliação. É preciso entender a causa antes de definir o tratamento”, explica Jéssica.
Para quem já tem diagnóstico de asma, o retorno dos sintomas durante a noite pode indicar que o controle da doença precisa ser reavaliado. “O paciente não deve se acostumar a acordar tossindo. Essa informação precisa chegar ao médico para que o tratamento seja revisto, se necessário”, diz a pneumologista.
Cuidados no quarto podem reduzir a exposição a fatores que agravam a tosse
Lavar a roupa de cama regularmente, evitar o acúmulo de poeira e corrigir infiltrações são medidas que ajudam a reduzir a exposição a ácaros e mofo no quarto. Esses fatores podem agravar os sintomas de pessoas com asma.
Jéssica Polese recomenda prestar atenção também à relação entre o ambiente e a tosse. “Se o sintoma piora ao entrar no quarto ou ao se deitar, vale contar isso na consulta. Saber onde e quando a tosse aparece ajuda a identificar possíveis fatores envolvidos”, afirma.
As medidas em casa devem acompanhar a avaliação médica. Se a tosse continua interrompendo o sono, ou se uma pessoa em tratamento para asma voltou a apresentar o sintoma, é necessário investigar o que está acontecendo e verificar se o tratamento precisa de ajustes.