toxoplasmose exige atencao durante gestacao para proteger bebe

Toxoplasmose exige atenção durante a gestação para proteger o bebê

A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii e está entre as doenças mais comuns no mundo. Apesar de muitas pessoas entrarem em contato com o parasita ao longo da vida sem apresentar sintomas, a infecção pode representar riscos importantes para gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido.

De acordo com a infectopediatra do Hospital Santa Rita, Rafaela Altoé, na maioria dos casos a doença passa despercebida. “A toxoplasmose não causa sintoma nenhum na maior parte das pessoas. Quando eles aparecem, costumam ser semelhantes aos de uma gripe leve, como febre baixa, cansaço, dor no corpo e gânglios, conhecidos como ínguas, inchados, principalmente na região do pescoço”, explica.

Segundo a especialista, a principal preocupação está relacionada à gravidez. “Se a gestante se infectar pela primeira vez durante a gravidez, o parasita pode atravessar a placenta e chegar ao bebê. Esse risco é maior quando a mulher nunca teve contato com o parasita antes de engravidar”, ressalta.

A transmissão da infecção para o feto é chamada de toxoplasmose congênita e pode causar complicações importantes. “Dependendo da fase da gestação em que a infecção acontece, o bebê pode apresentar problemas nos olhos, no cérebro ou em outros órgãos. Quanto mais cedo ocorre a infecção durante a gravidez, maior é a chance de complicações graves, embora a transmissão para o bebê seja mais frequente nas fases finais da gestação”, afirma Rafaela Altoé.

Por isso, o acompanhamento pré-natal é fundamental para identificar precocemente a doença e reduzir os riscos. “O pré-natal já inclui exame de sangue para verificar se a gestante teve contato com o parasita anteriormente. Quando o exame mostra que ela nunca teve contato, é necessário repetir os testes periodicamente durante a gravidez e reforçar os cuidados preventivos. Se houver suspeita de infecção, o médico pode iniciar o tratamento e acompanhar o desenvolvimento do bebê com exames de imagem, como o ultrassom”, orienta.

FORMAS DE TRANSMISSÃO

A infecção pode ocorrer de diferentes maneiras. As principais são o consumo de carne crua ou mal passada contaminada, a ingestão de frutas, verduras e legumes mal higienizados e o contato com fezes de gatos contaminados, especialmente ao manusear terra ou limpar caixas de areia sem proteção.

Apesar da associação frequente com os felinos, a médica destaca que a prevenção depende principalmente de hábitos de higiene e segurança alimentar. “Medidas simples ajudam a evitar a doença. Entre as principais recomendações estão cozinhar bem as carnes, higienizar cuidadosamente frutas, verduras e legumes, utilizar luvas ao mexer com terra ou jardinagem e lavar bem as mãos após o contato com alimentos crus ou solo. No caso de gestantes que possuem gatos em casa, a orientação é evitar o contato direto com as fezes do animal. O ideal é que outra pessoa faça a limpeza da caixa de areia durante a gravidez”, recomenda a infectopediatra.

TRATAMENTO

Para a maioria das pessoas saudáveis, a toxoplasmose evolui sem gravidade. Entretanto, gestantes e pessoas com imunidade reduzida, como pacientes em tratamento quimioterápico, transplantados ou que vivem com HIV, necessitam de atenção especial.

“O tratamento é realizado com medicamentos antiparasitários, prescritos de acordo com cada situação. As gestantes com suspeita ou confirmação da infecção seguem um protocolo específico, com o objetivo de reduzir a transmissão para o bebê e tratar o feto quando necessário”, conclui Rafaela Altoé.

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