Essa é uma das frases que mais escuto na clínica e também uma das mais difíceis de quem a vive nomear com precisão. Quando uma mulher chega dizendo isso, ela geralmente não está falando apenas de “não gostar de si mesma”, mas de um processo emocional mais amplo, que envolve cansaço interno, autocrítica constante e uma sensação persistente de insuficiência.
Quando falo de autoestima, não estou me referindo a algo fixo ou a uma característica de personalidade. Eu costumo pensar nela como a forma como a mulher foi aprendendo a se enxergar ao longo da vida. E isso é construído: pelas relações, pelas experiências, pelas cobranças e também pelas ausências de validação emocional.
Na prática, a autoestima baixa nem sempre aparece de forma evidente. Muitas vezes ela se revela em pequenos sinais do cotidiano: a dificuldade de reconhecer o que faz bem, a tendência a se comparar com outras mulheres, a sensação de que nunca está fazendo o suficiente ou de que sempre poderia ser melhor.
Algo que observo com frequência é que muitas mulheres chegam com uma desconexão importante entre o que realizam e o que sentem sobre si mesmas. Elas dão conta de muita coisa, mas internamente não conseguem sustentar essa percepção de valor.
E isso não acontece por acaso. Na maioria das vezes, esse padrão vai sendo construído ao longo do tempo, em ambientes onde houve muita cobrança, pouca validação emocional ou relações em que a mulher precisou constantemente se adaptar para ser aceita. Hoje, as redes sociais também intensificam isso, porque ampliam a comparação de uma forma muito constante e, muitas vezes, injusta.
E uma coisa que sempre faço questão de reforçar é que autoestima não melhora com frases prontas ou pensamentos positivos isolados. Isso costuma frustrar ainda mais a mulher, porque ela tenta “se convencer” de algo que ainda não conseguiu sentir.
O que realmente sustenta mudança é a forma como ela começa a se relacionar consigo mesma na prática: como se trata no dia a dia, como lida com seus erros, como reconhece seus próprios esforços e como reduz esse nível constante de comparação.
Não é um processo rápido. E nem precisa ser. Muitas vezes ele começa de forma muito sutil, quando a mulher percebe que não precisa se tratar com tanta rigidez o tempo todo.
Quando a autoestima está muito fragilizada e vem acompanhada de ansiedade, tristeza persistente ou esgotamento emocional, o acompanhamento psicológico ajuda justamente a organizar esse funcionamento interno e reconstruir essa percepção de si mesma de forma mais real e menos punitiva.
No fim, quando uma mulher me diz “minha autoestima está baixa”, eu não entendo isso como um ponto final sobre quem ela é. Entendo como um sinal de que algo na forma como ela tem se tratado emocionalmente precisa de cuidado.
E isso, aos poucos, pode ser reconstruído.



