Gripe exige cuidados e vacinação para evitar complicações

A gripe é uma doença respiratória aguda causada pelo vírus Influenza que acomete, principalmente, o nariz, a garganta e os pulmões. Trata-se de uma infecção altamente transmissível e que circula em todo o mundo, especialmente nos períodos mais frios do ano. Embora muitas pessoas se recuperem em poucos dias, a gripe não deve ser subestimada, pois pode levar a complicações graves, como pneumonia, insuficiência respiratória e agravamento de doenças crônicas, sobretudo em idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças cardiovasculares, pulmonares ou imunossupressão.

Os principais sintomas da gripe costumam surgir de forma repentina. Entre eles estão febre, dor de cabeça, dores musculares intensas, cansaço, mal-estar generalizado, dor de garganta, tosse seca e coriza. “Em alguns casos, podem ocorrer calafrios e perda de apetite. A intensidade dos sintomas, como a febre, é uma das características que diferenciam a gripe de outras infecções respiratórias mais leves”, explica Raphael Zanotti, infectologista do Hospital Santa Rita.

Uma característica importante do vírus Influenza é sua capacidade de sofrer mutações frequentes. “Todos os anos, pequenas alterações genéticas modificam partes do vírus reconhecidas pelo sistema imunológico. Por esse motivo, uma pessoa que já teve gripe anteriormente pode voltar a ser infectada em temporadas seguintes. Em outras palavras, a imunidade adquirida por uma infecção anterior nem sempre é suficiente para proteger contra as novas variantes que passam a circular, o que explica a recorrência da doença ao longo da vida”, pontua o médico.

Apesar de muitas vezes serem confundidos, gripe e resfriado são doenças diferentes. O resfriado comum é geralmente causado por outros vírus, como os rinovírus, e costuma provocar sintomas mais leves, incluindo coriza, espirros, congestão nasal e leve desconforto na garganta. Já a gripe, segundo Raphael Zanotti, tende a causar febre mais alta, dores no corpo mais intensas, fadiga importante e maior comprometimento do estado geral. Além disso, o risco de complicações é significativamente maior nos casos de gripe.

Diversas medidas ajudam a reduzir a transmissão do vírus Influenza. “A higiene frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel, a cobertura da boca e do nariz ao tossir ou espirrar, o descarte adequado de lenços de papel e o afastamento de atividades sociais quando a pessoa está doente são atitudes eficazes”, ressalta. Em situações de maior circulação viral ou em ambientes de saúde, o uso de máscaras também pode contribuir para diminuir o risco de transmissão.

Os ambientes fechados e com pouca ventilação favorecem a disseminação do vírus. De acordo com o infectologista do Hospital Santa Rita, isso acontece porque as partículas respiratórias liberadas durante a fala, a tosse ou o espirro permanecem suspensas no ar por mais tempo quando não há renovação adequada do ambiente. Por essa razão, manter janelas abertas e garantir uma boa circulação de ar são medidas importantes para reduzir o risco de contágio.

“A vacinação anual é a estratégia mais eficaz para a prevenção da gripe. Como os vírus Influenza sofrem mutações frequentes, a composição da vacina é atualizada periodicamente para oferecer proteção contra as cepas com maior probabilidade de circulação em cada temporada. Além de reduzir o risco de infecção, a vacinação diminui ainda mais a ocorrência de formas graves da doença, hospitalizações e óbitos”, destaca o médico.

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Marina Malacarne é infectologista do Hospital São José (Colatina – ES) e Raphael Zanotti é infectologista do Hospital Santa Rita (Vitória – ES).

Do ponto de vista da saúde pública, a vacina contra a gripe é considerada a principal ferramenta de prevenção. “Embora não elimine completamente a possibilidade de infecção, ela fortalece a resposta imunológica do organismo e reduz de forma expressiva o risco de complicações severas. Estudos científicos realizados ao longo de décadas demonstram que pessoas vacinadas apresentam menor probabilidade de desenvolver pneumonia, necessitar de internação hospitalar ou evoluir para quadros potencialmente fatais. Por isso, a recomendação é que a vacinação seja realizada anualmente, especialmente entre os grupos mais vulneráveis”, diz Raphael Zanotti.

De acordo com Marina Malacarne, infectologista do Hospital São José, em Colatina, pacientes com doenças cardíacas e outras condições crônicas, como diabetes, doenças pulmonares, renais ou imunológicas, devem redobrar os cuidados com a gripe porque a infecção pelo vírus Influenza desencadeia uma intensa resposta inflamatória no organismo.

“Durante o processo infeccioso, ocorre a liberação de substâncias inflamatórias que aumentam a demanda metabólica e o consumo de oxigênio pelos tecidos. Em pessoas com doenças cardiovasculares, essa sobrecarga pode desestabilizar o funcionamento do coração, elevando o risco de complicações como insuficiência cardíaca, arritmias, angina e até infarto agudo do miocárdio. Além disso, a gripe pode provocar inflamação dos vasos sanguíneos e alterações na coagulação, favorecendo a formação de trombos e eventos cardiovasculares graves”, explica a médica.

Nos pacientes com doenças crônicas, o sistema imunológico frequentemente apresenta menor capacidade de resposta ou já se encontra comprometido pela condição de base, dificultando o controle da infecção viral. “A inflamação causada pelo Influenza também pode agravar doenças preexistentes, como descompensação do diabetes, piora da função renal e exacerbação de doenças respiratórias, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Como consequência, essas pessoas apresentam maior risco de desenvolver pneumonia, insuficiência respiratória, necessidade de internação hospitalar e evolução para quadros graves”, alerta a infectologista do Hospital São José.

Por esse motivo, Marina Malacarne reforça que a vacinação anual, a adoção de medidas de prevenção e a busca precoce por atendimento médico diante dos primeiros sintomas são estratégias essenciais para reduzir complicações e proteger a saúde desses grupos mais vulneráveis.

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